terça-feira, 9 de março de 2010

Timor Lorosa'e: A Ilha do Sol Nascente


Carlos Severino

O texto de João Pedro Mésseder, "Timor Lorosa'e: A Ilha do Sol Nascente", com ilustrações de André Letria, é um material que, no meu caso, serviu para abordar um momento da história de Timor-Leste, sem grande rigor histórico, com formandos de nível inicial.
Sendo direccionado para crianças, é de fácil compreensão e permitiu que os formandos, através da ordenação das ilustrações seleccionadas contassem uma história e praticassem a oralidade.



O texto está organizado com miniaturas das ilustrações e pode ser descarregado aqui em baixo; as ilustrações per se podem-se disponibilizar a quem ainda não tenha o texto.




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segunda-feira, 8 de março de 2010

Manuais didácticos para ensino do Português em Timor-Leste: para uma reflexão metódica (dissertação de Ana Sofia dos Santos)

Um trabalho científico sobre o método "Português em Timor" e a influência do Tétum na aprendizagem do Português (com a curiosidade e a vantagem de ser obra de uma professora com experiência de ensino em Timor-Leste).

Descarregue aqui a tese completa.


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domingo, 7 de março de 2010

Tirar partido do Tétum

Leonel Lopes

Qualquer falante de língua portuguesa, logo no seu primeiro contacto com o tétum, toma consciência das semelhanças lexicais entre as duas línguas pois é grande o número de lusismos usados pelos falantes de tétum. Ora no ensino da língua portuguesa em Timor, embora as diferenças a nível da sintaxe, como seja a flexão e daí a dificuldade dos aprendentes de língua portuguesa timorenses em associar algumas palavras flexionadas, deve-se tirar partido das semelhanças lexicais.
Sugiro dois exemplos, um de carácter ortográfico e outro na perspectiva da formação de palavras.
Há um sem número de vocábulos que em tétum se grafam com a terminação –saun que não são mais que os vocábulos portugueses que terminam em –ção. Isto percebe-se porque a passagem da oralidade para a escrita foi feita numa base fonética. Assim os vocábulos como nasaun, situasaun, repartisaun, edukasaun, kooperasaun, etc. grafam-se em português nação, situação, repartição, educação, cooperação, etc.
Na perspectiva da formação de palavras os aprendentes timorenses apresentam algumas dificuldades em saber o significado de vocábulos como descontente quando sabem o significado de contente, de incerteza quando conhecem o vocábulo certeza, ou seja de palavras formadas por prefixação. Ressalvo aqui estes dois prefixos in- e des- por terem semelhanças com o advérbio de negação tétum la que também funciona como uma espécie de prefixo com o mesmo significado de negação que os prefixos portugueses in- e des-. Repare-se nos vocábulos tétum: lalika, labarak, ladi’ak, laki’ik, lakmanek e lasusar que são formados com o advérbio de negação la, que funciona como prefixo de negação. Assim lalika (não é preciso) é o antónimo de lika (é preciso); labarak (pouco) é o antónimo de barak (muito); ladi’ak (mal) é o antónimo de di’ak (bem); laki’ik (grande) é o antónimo de ki’ik (pequeno); lakmanek (mal) é o antónimo de kmanek (bem); e lasusar (fácil) é o antónimo de susar (dificuldade).


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A situação da LP na Guiné-Bissau

Leiam este texto sobre o ensino da língua portuguesa no ensino superior, na Guiné-Bissau. É uma espécie de desabafo da responsável pelo Centro de Língua Portuguesa em Bissau. Não é preciso reflectir muito para encontrar semelhanças com o que por cá encontramos.

Texto completo aqui


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ATL Arco-Íris: Conheçam-nos melhor!

Cláudia Taveira e José Monteiro

Sabemos que, em Timor, há ainda muito caminho a percorrer no que concerne ao desenvolvimento integral das crianças e à difusão da língua portuguesa. Queremos, por isso, que o nosso «Arco-Íris» faça a diferença para 40 meninos e que sirva de ponto de partida para outras iniciativas em prol das crianças timorenses. Estamos a trabalhar para que o «Arco-Íris» não se converta num projecto no qual se faz investimento e onde restam apenas o pó dos livros e uma placa…

Para conhecer melhor este projecto, leiam o texto e vejam os vídeos em baixo.

Contactos: Cláudia Taveira (claudiataveira2@hotmail.com) e José Monteiro (jos-monteiro@hotmail.com)








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Actividade: apresentação oral das funções exercidas por outro.

Nuno Almeida

Partilho aqui um exemplo de actividade realizada com funcionários da administração pública. Esta actividade consistiu basicamente em apresentar oralmente informação escrita constante de um formulário. O que a motivou foi o clássico problema em perceber a diferença entre um verbo e um nome. Não se trata de metalinguagem, refiro-me à dificuldade que muitos certamente já experimentaram ao explicar a diferença entre “recolha” e “recolher”.

Nas anteriores sessões de formação, cada aprendente tinha preenchido a Ficha de Auto-avaliação do Desempenho, documento em língua portuguesa, de preenchimento obrigatório no âmbito da avaliação do desempenho dos funcionários da administração pública. Um dos campos era “Funções exercidas durante o período em avaliação”. Para o preenchimento deste campo, optámos por escrever, em primeiro lugar, o título da função principal e, depois, enumerar algumas actividades regularmente levadas a cabo no ano anterior (agora avaliado). Para a enumeração das funções, os aprendentes tinham de treinar a nominalização de verbos (exemplos: [elaborar – elaboração de], [analisar – análise de], [recolher – recolha de]).

Nesta actividade, tinham agora de apresentar oralmente a informação registada no campo “ Funções exercidas” a partir da observação da ficha de um colega. Isso implicava a descodificação dos nomes, a sua transformação em verbos flexionados no Pretérito Perfeito e a eliminação da preposição (exemplo: [elaboração de relatórios – elaborou relatórios]). Além disto, para que o resultado fosse uma produção oral aceitável, tinham de usar o verbo “ser” para introduzir a função principal do colega e de usar conectores para ligar as várias actividades exercidas. Foram sugeridos os seguintes conectores: “e”, “também”, “(para) além disso”, “por último”. Em alguns casos, em que o nome se encontrava qualificado por um adjectivo, foi necessário transformar esse adjectivo em advérbio de modo.

O exercício revestia-se de uma considerável dificuldade, pois os formandos, apesar de terem tempo para preparar a sua apresentação, enquanto estavam a apresentar as funções do colega, só tinham acesso à ficha de auto-avaliação deste. Estar a ler “organização de…” e dizer “organizou…” implica compreender com segurança o significado de “organização”, relacioná-lo automaticamente com o verbo “organizar”, aceder rapidamente à forma correcta do verbo e ainda lembrar-se de retirar a preposição “de”, já para não falar do uso dos conectores propostos.

As gravações que apresento são representativas dos resultados obtidos e mostram a primeira tentativa de dois formandos. Nesta fase, não houve nenhuma produção completamente livre de desvios. Em momento posterior, ouvimos as produções com mais desvios e os próprios aprendentes detectaram facilmente os erros, fazendo propostas de correcção. A actividade foi altamente produtiva, pois, através do uso, contribuiu para fixar correspondências entre alguns nomes e verbos usados no domínio profissional dos aprendentes (para não me alongar sobre o que representou em termos pragmáticos de apresentação da mesma informação em contextos diferentes ou em termos de adaptação da estrutura sintáctica). Ao mesmo tempo, reforçou a automatização da flexão verbal e do uso de conectores.






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sábado, 6 de março de 2010

Dicionário Tétum-Português-Indonésio

Carlos Severino

Um óptimo auxiliar tanto para os formandos como para os professores. Descarreguem o texto completo em baixo.




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Língua Portuguesa em Timor-Leste: Aquisição Vs. Aprendizagem, Necessidades e Ensino Comunicativo

Nuno Almeida

Num artigo que observa a realidade timorense à luz de alguns conceitos da didáctica de línguas não maternas, faz-se a distinção entre os termos “aquisição” e “aprendizagem” para dizer que, no caso de Timor-Leste, o que acontece é uma aprendizagem da língua portuguesa. Assumindo esta posição, chama-se a atenção para algumas implicações práticas a ter em conta na nossa actividade enquanto professores de LP em Timor-Leste, mostrando-se ainda a importância de observar as necessidades dos aprendentes, o que justifica uma abordagem comunicativa do ensino do português neste país.

Descarreguem o texto completo em baixo.




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Conhecer o Tétum para ensinar Português

Carlos Ferreira

As correntes pedagógico-didácticas contemporâneas ligadas ao ensino aprendizagem das línguas parecem valorizar cada vez mais o fenómeno da intercompreensão relativamente aos processos de aquisição de saberes e competências. Pois bem, a intercompreensão não é mais do que a mobilização de conhecimentos e aptidões que o aprendente possui e que, através de diversos mecanismos psicológicos, sociológicos e linguísticos, lhe permite construir novas aprendizagens, um construtivismo, portanto, que não partindo do nada, assenta já em fundações mais ou menos consolidadas.

É um facto que entre o Tétum e o Português há algumas semelhanças e muitíssimas disparidades. Se por um lado as afinidades, sobretudo de ordem lexical, são uma mais-valia para quem aprende ou mesmo ensina a Língua Portuguesa, por outro, as diferenças, relacionadas principalmente com a sintaxe, constituem-se como um sério obstáculo à proficiência na referida língua.

Mesmo aqueles que não defendem o estatuto oficial da Língua Portuguesa em Timor-Leste, terão que reconhecer que o surgimento de novas realidades e de novos referentes tem exigido, ao Tétum, uma expansão lexical bastante considerada, ampliação, essa, conseguida em grande parte pelo recurso ao Português. Pois bem, pode ver-se esta crescente proximidade vocabular como um bom aliado no processo de ensino-aprendizagem da língua lusa.

Como é sabido, o Português, à semelhança das demais línguas latinas, é uma língua de extrema complexidade sintáctica. Este factor é de uma relevância fundamental no contexto específico de Timor-Leste, uma vez que as línguas maternas e línguas segundas, dominadas desde o berço pelos timorenses, são idiomas caracterizados por uma grande elementaridade estrutural e linguística. Pois bem, esse distanciamento gramatical, existente entre língua consolidada e língua a adquirir, será um obstáculo à construção dos processos de correspondência entre as duas línguas, dificultando, portanto, o processo da intercompreensão.

Salvo excepção feita ao Tétum Térik e outros casos que eventualmente desconheceremos, tanto o Tétum Praça – Língua Oficial – como grande parte dos dialectos utilizados para comunicar, em primeira instância, são meios de uma grande simplicidade gramatical em que não se verifica, por exemplo, flexão verbal em modo, tempo ou pessoa. O mesmo acontece relativamente à inexistência de variação em grau, género e número. Sabemos, também, que os referentes temporais são feitos exclusivamente com recurso às expressões temporais, não havendo, portanto, a necessidade de se proceder a alterações do verbo em si. Pois bem, o que pensará um aprendente de um nível inicial de Português ao saber que para nos referirmos ao Passado podemos mobilizar vários tempos verbais, cuja utilização será sempre criteriosa e não arbitrária.

Não se pretende um levantamento exaustivo dos aspectos gramaticais que distinguem as duas línguas. Importa, contudo, enfatizar que a tomada de consciência relativamente a essas diferenças contribuirá para uma eliminação precoce dos principais entraves ao processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, a uma proficiência mais rápida e efectiva em Língua Portuguesa.


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