quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Língua Portuguesa em Timor: uma perspetiva australiana

Geoffrey Hull

Palestra apresentada na conferência «Identidade e Língua: desafios e prioridades para a Educação em Timor-Leste» organizada pelo Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, em Díli e Baucau, a 17 e 18 de fevereiro de 2001, cujo texto nos foi enviado já há algum tempo por Maria Cristiana Casimiro, a quem agradeço.

Apesar de terem já mais de uma década, por incrível que pareça, estas palavras continuam a fazer todo o sentido, tendo em conta o estado atual da questão linguística em Timor-Leste, particularmente no que se referem à relação do português com as outras línguas no território, causadora de uma polémica que já se tornou crónica, tradicionalmente em torno de um "combate" ao inglês e, mais recentemente, suscitada pela introdução das línguas maternas no Ensino Básico.

Alguns excertos:

“Com efeito, uma das primeiras descobertas importantes da minha pesquisa foi o facto de não se poder defender a cultura indígena de Timor-Leste sem, ao mesmo tempo, defender a língua portuguesa. Uma coisa que sempre me impressionou e sensibilizou nas minhas visitas a Timor durante a ocupação indonésia foi a tenacidade com que a língua portuguesa resistiu.”

“O tema principal da minha intervenção vai ser a parceria linguística do português, recentemente declarado língua oficial de Timor-Leste, com o tétum, língua nacional, e os demais catorze idiomas do país. Nesta era pós-colonial, não pode ser absolutamente questão de uma reimposição do português num contexto de centralismo linguístico e cultural, como se os vernáculos de Timor não tivessem qualquer importância na vida nacional.”

“Todos sabemos que há hoje um grande entusiasmo, não apenas em Timor mas em todo o mundo, pelo inglês, língua internacional. Porém o inglês não deve ser uma ameaça para uma cultura timorense baseada desde há muitos séculos no binómio tétum-português. Com efeito, a tarefa dos verdadeiros amigos de Timor não é bloquear o progresso do inglês na nova nação, mas sim harmonizar a sua difusão com a proteção do ambiente linguístico. Aqui estou a propor uma estratégia dupla: a restauração completa da tradicional parceria do português com as línguas nativas conjuntamente com a expansão da língua portuguesa na Austrália, fonte das pressões mais fortes de anglicização.”

O texto completo (provavelmente, uma publicação exclusiva):




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1 comentário:

Reis-Morais disse...

Amigo Nuno Almeida, gostei imenso de conhecer esta comunicação do Prof.Australiano (através da Rosely no Facebook). Já fiz o download para guardar e "reler".
Estou a tentar aprender o Tetun e foi mais um "material" precioso a juntar ao que já tenho.
Obrigado pela Partilha, a ambos.
Hei-de cá voltar ao Blog para nele Navegar um pouco mais. Abraço.
César